quinta-feira, 20 de março de 2014

terça-feira, 18 de março de 2014






sentado na escadinha que dava para a rua, camisa aberta, portão aberto, olhos abertos por cima dos óculos de brechó, fabricio lia um leminski. entre os dedos ensanguentados, um cigarro que eventualmente levava à boca, a cinza caindo sobre o pé enchinelado. quando a polícia chegou, o corpo da mãe ainda estava quente lá na sala. sentaram a mamona dentro do camburão, sem dó, mas ele não deu um pio. e nem na cadeia aceitou raspar - pelo menos aparar, meu filho - o bigodão responsa.











quarta-feira, 12 de março de 2014







Óculos escuros, saia de organza barata e botas até o joelho a 30 metros de um ponto de ônibus empoeirado da Avenida Brasil.
Depilada com cera pela primeira vez, e pela primeira vez com frio na barriga desde o nascimento do terceiro filho.
É bom que valha muito a pena.
Meu Deus
tem
que
valer.






quarta-feira, 5 de março de 2014







Os filmes de Von Trier.
Os livros de Rushdie.
Os espetáculos de Martinez.
As obras de Hirschhorn.
A música de Rodriguez-Lopez.
Tudo tornou-se repentinamente patético diante daquele caixãozinho branco de um metro e dez.






quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014







As bolas ela retalha com faca.
Os meninos, espanta com ralho.
Assim pode manter intocada no jardim aquela alegria muda e inerte em forma de roseira.







quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014






Deixou um bilhete preso à geladeira, dizendo que agora se chamava Zago e que iria sair mundo afora atrás da essência da sua alma cigana.
Isso ou doidice parecida.
Mas eu sei que foi só pra voltar sozinho a Saintes-Maries-de-la-Mer.











...
- Foda-se. Foda-me.






quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014






Largado no meio da estrada de terra entre Barroso e Dores de Campos, as mãos amarradas aos pés, ele lembrou que no vidro traseiro do Escort tinha um adesivo Deus é fiel.
Desandou a rezar tudo que é novena que lembrava, mas quando o fogo começou a se alastrar e o porta-malas virou um inferno, Deus não desceu até lá.

Problema de jurisdição, talvez.






quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014






Mas isso nunca aconteceu.
Eu nunca a vi na área de serviço, pendurando as roupas no varal suspenso, os seios ensolarados e inchados de leite.
E ela nunca me viu pela janela entreaberta, me masturbando pateticamente no sofá, iluminado pela luz morta da televisão.
Não, isso nunca aconteceu.