terça-feira, 21 de julho de 2015







Lá do quarto eu ouvi a voz da minha vó. Meus irmãos dormiam pesadamente. Eu me levantei do colchão de capim e caminhei até a cozinha. Sentado no banco, meu pai que era preto tremia esbranquiçado, olhos parados, boca aberta, enquanto a vó lhe servia chá de melissa na caneca de esmalte branco - disso eu nunca me esqueci. O homem tremia igual vara verde. A vó me viu espreitando e, com um aceno de cabeça, ordenou que eu voltasse pra cama.
O que houve nós jamais soubemos, mas nunca mais o velho botou o nariz pra fora da porta depois de o sol se deitar.







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